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uma flor, o Quincas Borba. Nunca em minha infância, nunca em toda a minha vida, achei um menino
mais gracioso, inventivo e travesso. Era a flor, e não já da escola, senão de toda a cidade. A mãe, viúva,
com alguma cousa de seu, adorava o filho e trazia-o amimado, asseado, enfeitado, com um vistoso pajem
atrás, um pajem que nos deixava gazear a escola, ir caçar ninhos de pássaros, ou perseguir lagartixas nos
morros do Livramento e da Conceição, ou simplesmente arruar, à toa, como dous peraltas sem emprego.
E de imperador! Era um gosto ver o Quincas Borba fazer de imperador nas festas do Espírito Santo. De
resto, nos nossos jogos pueris, ele escolhia sempre um papel de rei, ministro, general, uma supremacia,
qualquer que fosse. Tinha garbo o traquinas, e gravidade, certa magnificência nas atitudes, nos meneios.
Quem diria que... Suspendamos a pena; não adiantemos os sucessos. Vamos de um salto a 1822, data da
nossa independência política, e do meu primeiro cativeiro pessoal.
Memórias postunas de Brás Cubas, de Machado de Assis
Embora pertença à modalidade escrita da lingua, esse texto apresenta marcas de oralidade, que têm
finalidades estilísticas. Dos procedimentos verificados no texto e indicados a seguir, o único que constitui
marca típica da modalidade escrita é:
a) uso de frase elíptica em "Uma flor, o Quincas Borba".
b) repetição de palavras como "nunca" e "pajem".
c) interrupção da frase em "Quem diria que...".
d) emprego de frase nominal, como em "E de imperador!".
e) uso das formas imperativas "suspendamos" e "não adiantemos".​

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